Por toda a Europa, as mulheres são mais religiosas que os homens
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A religiosidade varia enormemente na Europa, mas há um padrão que se repete em quase todo o lado: as mulheres apresentam níveis de religiosidade mais elevados do que os homens.
As diferenças na religiosidade de homens e mulheres são extraordinariamente consistentes em toda a Europa. Verificam-se tanto na Grécia como na República Checa — os países do Atlas onde os cidadãos se consideram, respetivamente, mais e menos religiosos — e até em Portugal. Apesar de enormes diferenças nos níveis gerais de religiosidade, o padrão é o mesmo nos três casos: as mulheres são mais religiosas do que os homens:
Esta diferença entre homens e mulheres manifesta-se de muitas outras formas. Não se limita à religiosidade declarada: observa-se também na crença em Deus, no céu e no inferno, bem como na importância atribuída à religião na vida. E a diferença não é apenas subjetiva: manifesta-se também em comportamentos concretos. As mulheres frequentam serviços religiosos com maior regularidade e, como se pode ver abaixo, rezam com mais frequência:
Este padrão não se limita, portanto, a uma única forma de expressão da religiosidade: manifesta-se na identificação religiosa, nas crenças, nas práticas e na importância pessoal atribuída à religião. O nível geral de religiosidade varia muito entre países, mas a diferença entre homens e mulheres é generalizada.
Porquê?
Não existe uma explicação consensual, e a questão está longe de estar resolvida. Uma das explicações possíveis é que a secularização — o processo através do qual a religião foi perdendo parte da sua importância social ao longo dos últimos séculos — tenha afetado mais sistematicamente os homens, devido à sua maior participação nas esferas do trabalho remunerado e da vida pública, tendencialmente menos religiosas. Em contrapartida, as mulheres poderão ter permanecido mais ligadas a papéis familiares e de prestação de cuidados, ou a formas de vida comunitária em que a religião tende a conservar maior importância.
Outra explicação proposta — mais controversa —prende-se com diferenças nas atitudes perante o risco. Como os homens tendem, em média, a estar mais dispostos a correr riscos do que as mulheres, alguns investigadores sugeriram que isso poderá também torná-los mais propensos a afastar-se das crenças e práticas religiosas e das regras e limitações que podem impor.
Seja qual for a explicação, o que é especialmente marcante é a persistência desta diferença em países com tradições religiosas muito distintas e níveis de secularização também muito diferentes. Isto sugere que não estamos perante uma característica de determinadas igrejas ou países, mas sim perante uma divisão social ampla e persistente na religiosidade em toda a Europa.
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