Educação e envolvimento político
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Em toda a Europa, níveis mais elevados de escolaridade estão consistentemente associados a um maior interesse pela política e a uma maior participação.
Um dos padrões mais "universais" que emerge dos dados do Inquérito Social Europeu (ESS) é a relação muito forte entre a escolaridade e o envolvimento político. Veja-se, por exemplo, o interesse pela política:
À medida que se sobe na escala da escolaridade, as cores tornam-se mais escuras, o que significa que aumenta a percentagem de pessoas que dizem estar "muito» ou "bastante" interessadas em política. Este padrão verifica-se em todos os inquéritos do ESS realizados em todos os países desde 2002.
Mas não se trata apenas do que as pessoas sentem ou pensam; trata-se também do que efetivamente fazem. Veja-se, por exemplo, a percentagem de pessoas que, em três países muito diferentes (Eslovénia, Países Baixos e Portugal), afirmam ter assinado uma petição nos últimos doze meses:
Independentemente das diferenças entre países e das mudanças ao longo do tempo, quanto mais alto o nível de ensino completado, maior a probabilidade ter assinado uma petição. A diferença mediana entre quem completou o ensino superior e quem não completou o secundário é de cerca de 18 pontos percentuais. Nalguns países, as pessoas participam muito mais do que noutros, mas, em todos eles, quem tem níveis mais elevados de escolaridade participa mais.
Isto verifica-se em todas as outras formas de participação política que podem ser analisadas neste Atlas, incluindo a participação em manifestações, os contactos com políticos e responsáveis públicos, a filiação em partidos políticos, os boicotes a produtos por razões políticas e até o uso de crachás ou autocolantes de campanha. Assim, a escolaridade está estreitamente associada à capacidade e à propensão dos cidadãos para se envolverem na política.
Porquê?
Há várias explicações possíveis. Por um lado, a escolarização pode proporcionar recursos — informação política, competências cívicas e confiança — que tornam mais fácil a participação. Por outro, pode também contribuir para moldar normas políticas, identidades e hábitos durante os anos formativos, que mais tarde se traduzem num maior envolvimento político.
O que é claro é que, apesar das grandes diferenças entre países europeus nos níveis globais de participação dos seus cidadãos, a mesma hierarquia educacional surge repetidamente. As desigualdades na participação política não são uma particularidade de determinados sistemas políticos: mesmo onde a participação é relativamente elevada, ela tende a estar socialmente estratificada em função da escolaridade. E a implicação para a democracia e para a (des)igualdade política é também importante: as vozes e os temas que chegam às instituições e entram no debate político tendem sistematicamente a provir, em maior medida, dos cidadãos com níveis mais elevados de escolaridade.
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