Quem é mais feliz, os mais jovens ou os mais velhos?
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Os jovens são mais felizes que os mais velhos? Na Europa, tudo depende de onde se pergunta.
O Inquérito Social Europeu (ESS) pergunta regulamente às pessoas quão felizes e satisfeitas estão com as suas vidas, utilizando escalas de 0 a 10, em que 0 representa "extremamente infeliz" ou "extremamente insatisfeito" e 10 representa, obviamente, "extremamente feliz" ou "extremamente satisfeito". Há um padrão geográfico surpreendente nas respostas fornecidas pelos europeus. Em geral, nos países do sul, centro e leste da Europa, os inquiridos dos 15 aos 24 anos reportam um bem-estar substancialmente mais elevado do que as que têm 65 anos ou mais. Porém, em grande parte do norte e oeste da Europa, encontra-se exatamente o oposto.
Os contrastes são relevantes. Veja-se o caso da Bulgária. Aí, na última ronda do ESS, a satisfação média com a vida entre os jovens dos 15 aos 24 anos é cerca de 1,6 pontos superior à dos maiores de 65 anos. Estamos a falar de uma escala de 0 a 10, e por isso o valor é expressivo. As diferenças correspondentes são de cerca de 1,3 pontos na Eslováquia, 1 ponto em Itália e 0,7 pontos em Portugal. Mas, na Suíça, verifica-se o contrário: os inquiridos mais velhos estão, numa escala de 0 a 10, cerca de 0,8 pontos mais satisfeitos com as suas vidas do que os mais novos. Na Suécia, Islândia e Reino Unido, encontrámos um padrão semelhante.
Esta mesma divisão é ainda mais evidente quando se questiona sobre o grau de felicidade. Na Eslováquia ou na Bulgária, os jovens pontuam quase mais dois pontos que o grupo mais velho, e cerca de mais um ponto na Grécia, em Itália ou em Portugal. Em contraste, os islandeses que têm 65 anos ou mais são cerca de um ponto mais felizes do que os jovens dos 15 aos 24 anos, com diferenças menores, mas semelhantes, a aparecerem noutros países do Norte da Europa.
A felicidade e a satisfação com a vida são frequentemente descritas como seguindo uma evolução em U: relativamente elevadas quando as pessoas são mais jovens, diminuindo em direção à meia-idade e recuperando mais tarde na vida. Mas os resultados acima complicam um pouco esta história. Estudos recentes mostram que este "U" praticamente desapareceu na Europa. Em vez disso, enquanto em muitos países do Norte a satisfação com a vida tende a aumentar com a idade, no Sul da Europa tende a diminuir à medida que as pessoas envelhecem.
Porquê?
Não é inteiramente claro. Parte da resposta pode estar relacionada com a recente deterioração da saúde e do bem-estar mentais dos jovens em comparação com os grupos etários mais velhos em muitos dos países economicamente mais desenvolvidos. Outra parte da resposta pode estar relacionada com as melhorias na situação do mercado de trabalho entre os jovens adultos em vários dos países menos ricos da Europa. Os idosos da Europa Central e de Leste também parecem apresentar níveis de qualidade de vida mais baixos em comparação com os jovens adultos, invertendo o padrão do Norte da Europa. Mas ainda faltam várias peças deste puzzle. De qualquer forma, estas comparações exigem uma ressalva importante: o ESS não acompanha as mesmas pessoas ao longo do tempo; em vez disso, cada ronda inquire uma nova amostra transversal da população. Portanto, as diferenças entre pessoas de 20 e 70 anos podem refletir diferenças geracionais e circunstâncias históricas específicas vivenciadas pelas diferentes coortes etárias.
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